Monday, February 26, 2007

Mundo...


Há um mundo perdido
Um mundo de rastos
Sem qualquer rumo
Onde tudo está em cacos

Ilusões desfeitas
Sonhos aterradores
E crianças tristes
Ecos de um choro inocente

Sensibilidade dormente
Apática perante tragédias
Perante os terrores
Ignorando maleitas
Razões sem sentido
Palavras ocas e gastas
Olhares cegos, distantes
Pessoas ou meras traças?

Friday, February 23, 2007

O jardim...

Portugal foi, em tempos, descrito como um jardim à beira mar plantado. Um belo jardim, um segundo paraíso, colocado a ocidente, um jardim beijado pelo sol antes de adormecer!

Mas os tempos mudaram e o dia a dia deste e neste jardim mudou muito!
Hoje, tudo, neste pequeno jardim, se assemelha a uma brincadeira… Um jardim onde sobram as ervas daninhas e onde é por demais sentida a falta de um jardineiro capaz de desempenhar as suas funções com brio, ansioso apenas de melhorar o jardim e a vida das suas plantas!!!
Em lugar disso, o “jardineiro de serviço” delega as suas tarefas em alguns pseudo-trabalhadores, tão capazes para a jardinagem como o Inspector Clouseau para a investigação!
Estes mais se assemelham a um grupo recrutado entre os “habituais lá da tasca”e nunca transmitem a imagem de jardineiros competentes e empenhados no cuidado do jardim! O único requisito para desempenharem tal função parece ser anuir, concordar e defender as opções do dito jardineiro, mesmo as mais absurdas, mesmo as mais incoerentes!


Aquando do concurso para a concessão do jardim, a proposta do actual “jardineiro-chefe” contemplava técnicos qualificados, melhores condições para as flores, as plantas, as árvores do jardim, mais água, melhores adubos e os solos mais adequados a cada um do habitantes do jardim!
No entanto, após metade do tempo de concessão, as flores parecem mais tristes, a água está mais suja e poluída, o adubo rareia e é de má qualidade, e quanto aos solos, estes estão ressequidos, gastos, esgotados…


Com tal tratamento algumas das mais belas flores do jardim, mudaram-se, pois a sua paciência esgotou-se e disseram “basta!” à negligência do jardineiro chefe e à inépcia dos seus ajudantes!

Os visitantes sentem cada vez a tristeza no desabrochar das flores, o seu perfume traz agora o cheiro do desalento e as árvores permanecem num Inverno sombrio, despidas de todas as folhas…

Alegria só mesmo na cabana do jardineiro chefe, onde ele e os seus ajudantes, isolados do jardim, indiferentes à degradação de um tesouro outrora belo!

Triste do jardim com tais zeladores!!!

Tuesday, February 13, 2007

De volta à (ir)realidade



Depois do referendo, depois da visita do ex-futuro presidente do States, depois dos grandes portugueses da televisão estatal, depois do assobio em cores douradas, depois da carta com um número entre o oito e o dez, para onde irá este rectângulo virar a sua atenção, sempre tão disposta a centrar-se em tudo menos na triste comédia deste país?
A velha máxima romana de pão e circo parece valer cada vez, embora neste caso o circo seja cada vez maior e o pão venha a encolher constantemente!
O referendo foi o maior exemplo deste país do reino do faz-de-conta: muito barulho, muito ruído, muito aparato e no final a maior parte nem sequer se deu ao trabalho de ir fazer uma cruz no pequeno quadrado!
Num país saído da ditadura há pouco mais de 30 anos é interessante ver o desinteresse das pessoas em tomarem parte nas decisões e em fazerem valer os seus direitos! Alguém muito perspicaz afirmou: “Cada povo tem os políticos que merece!”
Portugal realmente anda pelas ruas da amargura!
Mas, nada temam portugueses, dentro de momentos segue o programa de variedades mais visto a nível nacional – Portugal versão 2007!
Uma comédia irreal sobre a realidade de um país!
Um país onde as pessoas demoram 9 horas a serem transportadas pelo INEM até a um hospital. Ou muito me engano ou a DHL consegue melhores tempos!
Um país onde a abstenção ganha por maioria absoluta em (quase) todos os actos eleitorais! Quando alguém criar um partido intitulado Abstenção vai ser o caos!
Assim vai Portugal… e não vai mal!